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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Deus não é um macaco solitário

Muluku arí namwelupa
sano elapo emanlene.
Se Deus fosse macaco solitário
o mundo já teria acabado.

Muluku kahiyene namwelupa
niwoko onnètta ni atthu kwekwe.
Deus não é um macaco solitário
porque anda continuamente com as pessoas.

Deus único, mas solidário


Introdução

Durante a guerra civil surgiu em Nipepe um catequistado para dar ao animador de cada comunidade a possibilidade de conhecer e usar com competência os novos livros que a Diocese tinha posto à disposição. Tratava-se da nova edição do missal dominical (Masu a Muluku), do livro das orações e cantos (Mavekelo ni itxipo) e por fim o NT e os Salmos. Embora com a guerra e insegurança daquela altura, 52 animadores deixaram a própria aldeia e comunidade junto com as esposas e filhos e quiseram passar um ano inteiro em redor da paróquia de Nipepe para melhorar a própria formação bíblica, catequética, litúrgica e sacramental e assim regressarem às suas comunidades melhor equipados.
Tudo ia à frente bem, mas depois da férias do Natal, Nipepe foi assaltada, uns catequistas conseguiram fugir, muitos foram deportados e só um punhado deles foi deixado. Nunca se rezou tão intensamente como naqueles dias e a oração dos restantes do catequistado obteve a graça de assistir após um mês ao regresso de todos os deportados. Lembro ainda as primeiras palavras que os regressados pronunciavam ao colocar os pés no catequistado. Eram palavras de fé e de agradecimento a Deus como os dois seguintes axiomas ligados à figura do elupa/namwelupa:

Muluku arí namwelupa
sano elapo emanlene.
Se Deus fosse macaco solitário
o mundo já teria acabado.

Muluku kahiyene namwelupa
niwoko onnètta ni atthu kwekwe.
Deus não é macaco solitário
porque anda continuamente com as pessoas.

Naquela altura ainda não conhecia o sentido da palavra elupa e o derivativo personalizado namwelupa. Na devida altura pensei em pedir aos pesquisadores do Centro que me fizessem uma composição aqui sinteticamente apresentada.

1- Descrição biólogica

Elupa é um substantivo da quinta classe, a classe das coisas e dos animais. Provavelmente elupa/namwelupa são derivativos do verbo olupa que significa não só acertar no alvo, mas também tencionar, desejar. Em concreto, o binómio elupa/namwelupa significa o animal que acerta no alvo, que procura no nosso caso sobretudo a comida, porque sendo velho ou doente, marginalizado e até expulso pelo seu grupo, tem que desesperadamente procurar meios de subsistência. È o caso do macaco velho ou de outro animal velho que normalmente se abeira às machambas e às aldeias para encontrar comida, tornando-se perigoso.
Os textos salientam a solidão do elupa/namwelupa, as suas andanças à procura de comida exclusivamente para ele e os danos que provocam nas machambas e nas povoações.

Elupa ti yele enètta mekhaya ni enatxa mekhaya
O animal solitário é aquele
que anda sozinho e come sozinho.

Namwelupa ohelenle otxa pahi, .
ti namwiya, onaruha ohawa w’atthu,
khanvinya vowakuveya mmattani, ovila omwikara’mo.
O macaco solitário só pensa em comer,
é ladrão que traz só sofrimento a gente,
não sai da machamba tão facilmente, custa afastá-lo.

Namwelupa namili, khantxa ni asikhw’awe,
awòná asikhw’awe onowìkara.
O macaco solitário é avarento,
não come com os seus colegas,
se vê os seus colegas, expulsa-os.

Namwelupa àmutthunaka sothene sari sawe.
O macaco solitário gostaria que tudo fosse dele.

Elupa ennakona mmirini mekhayaru,
wetta waya ti wowita ni opeherera.
O macaco solitário dorme nas árvores sozinho.
anda às escondidas nas madrugadas.

Elupa nikholo na akhole othene.
O macaco solitário é o velho de todos os macacos.

Elupa khenavolelana ni etxipani ekina
akhwá mwariye t’onihawulaiye anètta mekhaiye.
O solitário não se junta a um outro grupo:
morta a sua esposa, afasta-se e anda sozinho.

Namwelupa ntoko namwetta-mekha
onvalavela otexa muritti awe.
nari onnònelela oravo, nto onakhotta okawana.
O macaco velho é como o viajante solitário
que não consegue carregar a sua carga
ou que descobre o mel sem o querer partilhar.


2- Elupa ni namwelupa -
Aplicação e interpretação teológica da metáfora Elupa/Namwelupa

Também para o binómio elupa/namwelupa é possível tornar-se uma metáfora fecunda na biosofia e biosfera xirima. Sendo a solidão egoística e asocial, um comportamento deletério que contradiz aos princípios básicos da cultura xirima, não é de admirar se o animal solitário e egoístico encontre logo aplicações metafóricas quer no campo antropológico quer no teológico.
Os textos porém produzidos pelos pesquisadores oferecem sobretudo aplicações simbólicas a nível teológico. O xirima não se cansa em dizer e afirmar que a heresia das heresias, o paradoxo dos paradoxos seria afirmar que Deus assume minimamente o comportamento do animal solitário elupa/namwelupa. Estamos bem longe da concepção de um deus longiquus et absens dos filósofos, fora e longe da história humana e cósmica. Os textos reflectem uma teologia simples e robusta ao proclamar a sinergia, a simbiose de Deus com toda a sua extrinsecação no mundo e no mutthu. Deus namúlico matriarca e genearca vive e convive com o mundo e com o mutthu no início, no decurso e na projecção futura de toda a história.
Impressiona constatar que numa cultura rodeada de religiosidade islâmica, o forte monoteísmo exclusivo islâmico não conseguiu pôr em discussão nem minimamente reduzir a intensidade da teologia sinergética e solidária da biosofia e biosfera matriarcal xirima.
Contudo não podiam faltar uns textos que aplicam o paradigma do animal solitário não antitética e exclusivamente mas positivamente à teologia e à antropologia. São textos que não excluem as antíteses enunciadas mas completam-nas. Pois, se se chega a conceber um Deus elupa/namwetta mekhá, é porque Deus é único, é incomparável, é opaco à visibilidade categorial, é incomensurável, inesgotável, incircunscrivível na história, mas transcendental a toda ela. Portanto se a metáfora elupa/namwelupa é aplicada positivamente a Deus e à sua acção na história, é só para salientar a unicidade e incomparabilidade de Deus com as suas criaturas, sem porém algumas sombras de polémicas inspiradas pelo monoteísmo rígido, imóvel e exclusivo do Islão ou por uma teologia dialéctica que concebe Deus como o totalmente diferente, longe e afastado.
Não se põe por nada em questão a unicidade de Deus nem tão menos se quer aludir a um seu hipotético afastamento do mundo e do mutthu, mas salienta-se a unicidade intensa e fecunda das obras de Deus na vizinhança e proximidade dele na história. Deus é um e único, não porém no sentido de solitário e de afastado, mas no sentido de solidário, sinergético e partecipativo com a história cósmica e humana.
Em síntese, o monoteísmo matriarcal da biosofia e biosfera xirima recebe uma ulterior confirmação também à luz do paradigma em estudo. Muluku namúlico matriarcal põe a sua unicidade e incomparabilidade sempre ao serviço e em função genética e protectiva para com o mundo e sobretudo para com o mutthu, constantemente em simbiose e sinergia partecipativa com o mundo e sobretudo com o mutthu, excluindo categoricamente intenções de afastamento e desinteresse para com o mundo e sobretudo para com o mutthu.


Paradigma negativo

Muluku kahiyene namwelupa
niwoko ehuhu yothene ori ni hiyo,
onnètta ni atthu khwekwe, ti mahuwa atthu.
Deus não é um macaco solitário,
porque todo o momento está connosco,
anda com a gente sempre, é o seu criador.

Muluku kahiyene namwelupa
niwoko khanahiya sopatuxa sawe sihawaka,
khanthanlu nari khanùma murima.
Deus não é macaco solitário
porque não permite que sofram as suas criaturas,
nunca é parcial nem indiferente.

Elupa namwiya, Muluku nari vakhanene,
namwelupa onnìta, Muuku nari vakhanene
O macaco solitário é ladrão, Deus nunca,
o macaco solitário anda às escondidas, Deus nunca.

Elupa ti yele enetta mekhaya ni enatxa mekhaya
vahera Muluku onnètta ni an’awe ni onatxiha.
O macaco solitário é aquele
que anda sozinho e come sozinho,
enquanto Deus anda com os seus filhos e os alimenta.

Namwelupa namwelupa,
Muluku khanakhaleke elupa.
O macaco solitário será sempre tal,
nunca Deus será solitário.

Elupa khenawerya okhala enenero ya Muluku,
Muluku ni namwelupa khanawerya olikanana
elupa enlikana ni ikhalelo sa mutthu pahi.
Omuvaha nsina na elupa Muluku
ti etthu yottheka opwaha ikhomo.
O macaco solitário nunca pode ser
uma metáfora de Deus.
Deus e o macaco solitário não são comparáveis entre si,
o macaco solitário é só comparável com o mutthu:
dar o nome de macaco solitário a Deus
é uma ofensa imensa.

Muluku kahiyene namwelupa,
nto onalupa sawawe, vantxipalexa alipa òkhwa,
ntoko etxhetxi enalumpwa variyari mwila.
Deus não é macaco solitário,
anseia para as suas coisas, sobretudo os mortos,
como o rato caniço é tomado no alvo no meio do trilho.

Muluku kahiyene elupa,
mene ori maye Namuli
t’opatxenre oyara/opatttuxa sothesene.
Deus não é macaco solitário:
mas é a mãe/genearca Namuli
é ela que começou a gerar tudo.

Muluku kahiyene namwelupa
niwoko onaweha muloko awe wothene
yowo ahithanyaka.
Deus não é macaco solitário
porque controla todo o seu povo sem estranhar.

Muluku kahiyene namwelupa,
niwoko khanatthuna omwalana muloko awe,
t’apwiyamwen’ihu Namuli
onnikhuparela ntoko namukuttu..
Deus não é macaco solitário,
porque não quer separar-se do seu povo,
é a nossa matriarca namúlica
que nos choca como a galinha.

Muluku arí namwelupa,
itthu sothene sa elapo ya vathi ni sa wirimu
khasapattuxiwa.
Se Deus fosse macaco solitário,
as coisas da terra e do Céu
não teriam sido criadas.

Muluku arí namwelupa,
sano elapo emanlene.
Se Deus fosse um macaco solitário,
o mundo já teria acabado.

Muluku ari namwelupa
itthu sothene sakela wetta mekhaya,
sothesene iluparu.
Se Deus fosse macaco solitário,
todas as coisas iriam andar sozinhas,
tudo seria elupa só.

Muluku ari namwelupa, khanùnnuwa,
niwoko Muluku onnùnnuwa ni sopattuxiwa sawe
Deus se fosse macaco solitário, não iria crescer,
pois Deus cresce/vive com todas as suas criaturas.

Muluku kahiyene elupa/namwètta mekhá,
mene erimarima ni ephattuwelo ya itthu sothene.
empa/erukulu ya sothene sinakhala ni ikumi.
Deus não é elupa nem um errante sozinho,
pois é o núcleo central e a origem de tudo,
é a casa e o útero de todos os seres viventes.

Muluku kahiyene namulume a etthepo
enihawula enètta mekhaya.
Deus não é o grande elefante
que desviando anda sozinho.

Muluku kahiyene elupa
onnètta/minepa ni antxelo awe.
Deus não é elupa, anda com os espíritos

Namwelupa ori othene oyara khahelenle, ekhalelo yothene ya Muluku, pwiyamwene Namuli ti oyara ni watta oyara osilo olelo ni omalo mpaka ottai khalai.
A cada macaco solitário não importa gerar, pelo contrário todo o comportamento de Deus matriarca Namuli é gerar e gerar em abundância, ontem hoje e amanhã até ao futuro mais remoto.

Mamwene kahiyene elupa ya valaponi,
khanàsa wettaxa àhiyaka atthu awe ehawaxaka.
Tivanto Muluku ohinìtthaniwaiye namwelupa,
khanatthuna oramusa sopattuxa sawe.
Os chefes não são como o macaco solitário,
porque não andam de qualquer maneira
deixando o povo a sofrer.
Por isso Deus não é chamado namwelupa,
não quer desprezar as suas criaturas.


Paradigma positivo

Muluku namwelupa,
niwoko nohòneya nitho nnitho nari nohivara matata,
ikhalelo sawe khavo onasuwela.
khanàsa ophwanyasiwa akhalaru mutthu,
ori mwa epheyo, onnètta ohikhala ni inenero.
Deus é um solitário,
porque não se vê a olho nú
nem se pega nele com as mãos,
ninguém conhece o seu comportamento,
não procura ser encontrado por qualquer pessoa,
anda no vento,
porque não tem manchas, anda sem sinais.

Muluku ori namwelupa:
niwoko khanahima ni eyano,
mene ni mirirya ni inenero sawe.
sopanka sawe khavo onawerya.
Deus é um solitário:
porque não fala com a boca,
mas por meio das suas maravilhas ou sinais,
ninguém consegue fazer os seus actos.

Namwetta mekhá/elupa Mulukú pahi,
khavo mukina:
niwoko ti yowo pahi musukhuru a sothene.
Só Deus é único e nenhum outro,
porque só ele pode fazer pouco de tudo.

Muluku pahi ti elupa ni namwetta mekhá:
tani onlikanaiyeno?
Khanapankeliwa, onipanka mwanene,
khanòva etthu nari vakhanene,
khanaxutta, nto onaxuttiha sothesene.
Só Deus é único e uno,
na verdade quem lhe é parecido?
Ele não é feito, mas se faz a si mesmo,
não tem medo de nada,
não aprende nada, mas ensina tudo.

Vamutthuni khavo elupa/namwetta mekha
ahikhanle Muluku.
Khweli vamutthuni
wera okwanele omutthu awe
onakwaniheriwa ni mukhw’awe
asinama othene wothe annètta eli-eli.
Entre as pessoas não há ninguém
que seja único e uno,
a não ser exclusivamente Deus.
Na verdade para se completar a pessoa
precisa-se da complementariedade do seu próximo,
até todos os animais andam dois a dois.

Muluku onitthaniwa elupa
niwoko nikholo ntokwene n’atthu othene wa kula elapo
ni mwanene a itthu sothene.
Deus é chamado elupa
porque é o velho superlativo
de todas as pessoas de cada nação,
é o senhor de tudo.
Muluku ntoko mutokwene ori othene onakuxa ekhalelo ya elupa, niwoko nohòneyaxa vatthuni, mutokwene khanakilathiki vathi, onnòpehereriwa.
Deus é semelhante ao responsável que leva a forma de macaco solitário, por causa de não ser visto muitas vezes no meio das pessoas: o grande não se senta no chão, é visitado nas madrugadas.


3- Aplicação cristã

A metáfora elupa/namwelupa inserida no contexto cristão atinge o seu auge de intensidade metafórica. Os dois principais mistérios da fé cristã (unicidade e trindade de Deus, encarnação de Deus em Cristo Jesus), sem perder nada da sua misteriosidade e opacidade a uma compreensão racional, tornam-se porém mais credíveis e mais transparentes e simpatéticos, reduplicam a intensidade mística e emotiva que os dois mistérios provocam. Em lugar de afastar e provocar alergias, convidam o xirima a se inserir mais íntima e profundamente no mistério trinitário cristão.
O cristão xirima não parece compartilhar a indisposição, as reticências e os receios que o anunciador ocidental nutre quando se dispõe a anunciar e explicar o dogma da SS. Trindade. Os textos por ele produzidos testemunham abertamente isto, são por nada produtos de elocubrações filosóficas, mas metáforas convivenciais e paradigmas simbólicos que desvelam e ao mesmo tempo velam ainda mais o mistério, intensificando o desejo de maior contemplação e compreensão do mesmo.
A metáfora em estudo tanto na sua aplicação antitética e exclusiva como na sua aplicação inclusiva e superlativa, transposta no contexto da fé cristã, deixa a veste parabólica, torna-se evento, realidade de Deus uno e trino contemplado e visto no seu fluir expansivo. Se já na teologia da biosofia e biosfera xirima a metáfora elupa namwelupa, vista em relação a Deus namúlico, soava paradoxal e herética, a mesma enxertada no contexto cristão leva ao extremo a paradoxalidade, assurdidade, insensatez de tal comparação e aplicação metafórica, pois o Deus cristão é um Deus uno e ao mesmo tempo trinitário, incomparável e ao mesmo tempo comparável e partecipativo não só extrinsecamente mas também intrinsecamennte vivendo a sua unicidade na pluralidade e alteridade trinitária. Se Deus fosse o que a metáfora afirma candidamente, também cândida e consequentemente não se poderia falar minimamente do envio do seu Filho à história humana. Disso deriva por um lado a impossibilidade de desunião entre o Pai e o Filho na comunhão do Espírito Santo e por outro a compreensão do caminho histórico salvífico veterotestamentário (envio dos profetas) e neotestamentário (Jesus, João Baptista, Maria e a Igreja).

Nipuro nopatxera
Muluku ti namwelupa/namwetta mekha
niwoko ori Muluku mmosaru, khavo mukina,
Nto nipuro nanaveli,
Muluku kahiyene namwelupa,
niwoko ori Oraru Wottelaxa:
onnètta mwa asinene araru òttelaxa
Atithi ni Mwana ni Munepa Wottela.
Deus por um lado é elupa/namwetta mekha,
pois é uno e único, não há outro.
Por outro lado, Deus não é elupa/namwetta mekha,
pois é Trindade Santa,
convive com trés pessoas santas,
Pai, Filho e Espírito Santo.

Muluku arí namwelupa,
khanivaha Mwan’awe Yesu Kristu.
Se Deus fosse macaco solitário,
não nos dava o seu Filho Jesus Cristo.

Khuwavo wetta mekha/elupa/opili
wa Muluku ni Yesu,
niwoko otthuna wa Muluku ti otthuna wa mwaniye
ni otthuna wa mwana ti otthuna w’atith’awe
mwa murima mmosa wa Munepa Wottela.
Não há processo dividido/separado/solitário
entre Deus e Jesus,
pois a vontade de Deus é a vontade do seu Filho,
e a vontade do Filho é a vontade do seu Pai.

Muluku kahiyene namwelupa
niwoko mwan’awe Yesu Kristu àhima wera:
yowo onakèmerera miyo,
anawìwelele Atith’aka Muluku,
onrowa okhala ni miyo ni Atith’aka.
Deus não é macaco solitário,
porque o seu Filho Jesus Cristo afirmou:
aquele que acredita em mim,
acredita também em Deus, meu Pai,
viverá comigo e com o meu Pai.


Yesu

Namwelupa khantthuna wonana n’asikhw’awe.
Yesu Krisu khàthanya atthu,
annèttettaa ni ohuser’awe nihiku ti nihiku,
anàpenuxa aretta mwettani mwawe,
anatxa ni atthu othene, makamaka ni anamattheka.
O namwelupa não gosta de se avistar com os seus colegas,
Jesus Cristo pelo contrário não estranhava a ninguém,
ia com os seus discípulos cada dia,
curava os doentes nas suas andanças,
comia com todos, especialmente com os pecadores.

Yesu ti elupa/namwetta mekhá
niwoko na mirirya apankiyaiye.
Muluku khavo onlikanaiyeno,
ahikhanle Yesu Kristu pahi.
Jesus é elupa/namwetta mekha /único
pelas maravilhas que tinha feito.
Não há ninguém que se iguala com Deus
a não ser Jesus Cristo só.


Maria

Amaye Maria kahiyene namwelupa
niwoko annàkhavihera asimaye othene,
tivo asimaye othene anaroromelaxaya yawo.
A Mãe Maria não é animal solitário
porque ajuda todas as mães,
por isso todas elas confiam muito nela.


Os profetas

Muluku arí namwelupa,
khayàrumiha maprofeti
wera elalerye ikuru, owerya ni ovuwa wawe.
Se Deus fosse macaco solitário
não teria enviado os profetas
para anunciar as forças, a potência e o louvor Dele.


João Baptista
Mahiku òpatxera orwa wa mwana a mutthu
Yohani ari namwelupa,
niwoko ètta mekhaiye alaleyaka.
Nos primeiros dias da vinda do Filho do homem
João Baptista era macaco solitário
porque andava sozinho evangelizando.





terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O pirilampo é olho de Deus mesmo

Emolimoli ti nitho na Muluku mwanene.
O pirilampo é olho de Deus mesmo.

Introdução

Durante a guerra civil viajava-se de noite para evitar encontros com os “irmãos do mato”: assim se costumava indicar os adeptos da Renamo. As vantagens eram várias: além de evitar encontros desagradáveis com os agentes da guerra civil, viajava-se na frescura, muitas vezes ao luar descansativo e materno, podia-se contemplar os movimentos das constelações próprias de cada estação e saber aproximadamente a hora. Nos primeiros meses do tempo seco sofria-se por causa do frio, do capim alto e carregado de nevoeiro, dos rios ricos ainda de água; no meses antes da chuva era o calor e a falta de água, por fim nos meses da chuva a dificuldade principal era como conseguir atravessar os rios em cheia.
A lembrança mais agradável que aguardo das viagens durante as chuvas, é a seguinte. Uma vez conseguímos atravessar o rio, subia-se e avançava-se na planice e na floresta. Ao anoitecer e durante toda a noite pedalava-se acompanhados pelos inúmeros pirilampos em dança festiva. Quando se descansava, para uma breve refeição, dava vontade de pegar nos pirilampos e ver a fonte da energia da luz que emanava deles. Mas os meus acompanhadores me alertavam dizendo:
Pasope padre, emolimoli nitho na Muluku mwanene.
Cuidaddo padre o pirilampo é o olho de Deus mesmo.
Procurei com os pesquisadores conhecer mais pormenores acerca do pirilampo, o que a biosofia e biosfera xirima pensa do pirilampo. Apresento aqui uma breve síntese.


1- Emolimoli: étimo e habitat do pirilampo
Emolimoli é um derivativo do verbo omola que significa brilhar, luzir. O substantivo é o reduplicativo do radical verbal, provavelmente devido ao piscar intermitente do pirilampo. A língua xirima conhece outros dois sinónimos: ephaniphani e emanimani, ambos mostram a mesma técnica da reduplicação do radical.
O pirilampo é um bichinho que aparece no começo da chuva, e durante todo o período da chuva acompanha as noites agregando-se aos cantos dos grilos nas florestas, das aves nocturnas nos rios e das rãs nas baixas. O seu específico é de ser fonte de luz intermitente que brilha na escuridão da noite, piscando acaba por mostrar até o caminho.
A biosofia e biosfera xirima considera o pirilampo como um inimigo da escuridão, durante toda a noite trava ininterruptamente luta contra as trevas nocturnas. Trata-se de luz ténue, quase lunar, por nada solar, agradável até às crianças que ao ver os pirilampos passar deixam de chorar. Também não luzi estavelmente mas intermitentemente voando e dançando em toda a parte e sem seguir um caminho directo.
Às vezes pirilampo pode ter sentido de ver as estrelas, no caso de ser batido e bater a cabeça no chão ou na pedra.

Emolimoli ti mwaxitthu onakhumelela
ni Muluku mutthulo mpaka eyita yothene,
elimwe orikarika woneya.
O pirilampo é o bicho
que surge nos inícios da chuva
até durante todo o tempo da chuva,
dificilmente visível no tempo da seca.

Emolimoli enapatxera wetta ni mwana a Muluku,
ehuhu ya Muluku mutthulo.
O pirilampo inicia a andar com o filho de Deus
no tempo da primeira chuva.

Emolimoli eri ntoko mwana a Muluku:
khenasuwanyeya enakhumelelaya nari ontxaiye.
Axitthu ala ari òtikinsa okhumelela waya
wasa nipuro ekhumalaya khanòneya..
nto ennanisuweliha sa makholo ni ennasunka exiri.
O pirilampo é como o filho de Deus:
não se sabe donde sai e o que come.
Estes bichos são maravilhosos no seu aparecer,
procurar o lugar donde saem, não se encontra,
contudo nos comunica as coisas dos antepassados.

Emolimoli mwaxitthu mukhanene,
ennnaphattuwa mwa mansi a mwamunama
ennànkha ya apwiy’aya,
khenakhuriwa, khenapankiwa mathapa.
avavaka onàrya ohiyu.
enòneya okhuma epula-mutthulo,
ehuhu ya murettele.
O pirilampo é um pequeno bichinho,
sai das fezes do animal e cheira a seu patrão,
não se come nem presta para caril.
Voando de noite brilha intermitentemente
vê-se desde o príncipio da chuva, tempo da paz.

Othana ephaniphani ennalakaseya ntoko itheneri.
ennapatta ohiyu ekhottaka miteko sa epiphi.
De dia o pirilampo desaparece como as estrelas,
acende-se à noite recusando os trabalhos das trevas.

Emolimoli ti muthuko wohitutha
khenapankiwa muthuko wa mpani
khenarumiha wairese ntoko makesi.
O pirilampo é um archote que não obceca
não consegue iluminar em casa nem alimentar o rádio.

Moloko onalampwa watta imolimoli.
Emolimoli ennimwalela othako,
ennòneyaxa mutuphini nari mmatta.
vanaruma naphulu, emolimoli eri vavo.
O rio sagrado tem muitos pirilampos.
O pirilampo alumia a mata,
vê-se muito no mato ou nas machambas,
onde rufa a rã, o pirilampo está aí.

Emolimoli ti mwanene warya,
enahima etthu yowarya/yomwaleya:
onamwalela vari epiphi/nlitti,
khweli, khenakhulumuwa omwalela.
O pirilampo é o dono da luz,
significa algo que brilha, que se torna luminoso,
ilumina onde há escuridão,
na verdade, não se cansa de alumiar.

Ephaniphani khenòva vari epiphi
niwoko ti mwanene omwaleya.
O pirilampo não tem medo da escuridão
porque é o dono que ilumina.

Makholo ahu annèra:
omwaleya ori ni emolimoli
ti moro wohihisa,
khenàrya ntoko nsuwa evihaka,
Os nossos antepassados dizem:
luzir é tarefa do pirilampo
é fogo que não queima,
não brilha como o sol quente.

Mwana owìnla ohiyu
onòniheriwa warya wa emolimoli
khanòva emolimoli.
hatá onnathela ni emolimoli,
niwoko khenaluma.
À criança que chora à noite
mostra-se-lhe o piscar do pirilampo,
não tem medo dele,
até brinca com ele, pois não morde.

Emolimoli khenatthariwa enaviraya
niwoko eri ntoko epheyo,
nto enovira yòniheraka/esuwelihaka etthu enyowani.
O pirilampo não se segue onde passa
porque é como o vento,
porém passa mostrando algo de novo.

Emolimoli avavaka opisa wemela.
ennònihera ni tho ennìpithiha
ennarowa ni enannuwa ni warya
yòniheraka ephiro yotthara.
O pirilampo quando voa demora parar,
monstra e ao mesmo tempo esconde,
vem e cresce/vive com a luz
mostrando o caminho a seguir.

Emolimoli ennavava,
enalikana ni nikuruthu: khanètta vathi.
O pirilampo voa,
é como a borboleta: não anda no chão.

Wileliwa wetta ni imolimoli.
Anoitecer é andar com pirilampo.

Emolimoli enalikana ni ehuhu:
wakuva ovira.
O pirilampo é como o tempo: passa logo.

Onaruwana emolimoli onotapana.
Quem insulta o pirilampo, terá azar.

Yòkhala emolimoli ya mmaithoni
enòniwa ni atthu anavoreiwa maitho.
Amaniwe owitho àhòna emolimoli.
Há pirilampos dos olhos,
vistos pelas pessoas que sofrem de conjuntivite.
Quem foi batido na cara, viu pirilampos.


2- Emolimoli ni Muluku
Pirilampo e Deus

Sendo um bichinho nocturno e lunar, o pirilampo no contexto da biosofia e biosfera xirima revela conotações metafóricas directamente relacionadas com a teologia namúlica xirima, notoriamente nocturna e lunar. Como o axioma em estudo indica, não se trata de um bicho insignificante, criado como tudo o resto por Deus, mas com dons e prerrogativas únicas como aquela de emitir luz intermitente, ser fonte de luz na escuridão, ser antídoto da trevas. A sua aparência é teófana, é passagem pontual do mesmo Deus, é o seu olho que passa a ver e a observar, é indicação do seu caminho, das suas mensagens, sobretudo é sinal da sua vizinhança, amor e aliança para com o mundo e o mutthu. O pirilampo é outro paradigma de como Deus Namuli nunca pode ser um elupa/animal solitário, mas gosta da convivência, da sinergia simbiótica com as suas criaturas.

Makholo yànahima wera Muluku òpanka emolimoli yowamwalela a mminepani so Namuli,
weiwo sinkhalaya’wo.
Os antepassados diziam
que Deus criou o pirilampo
para alumiar os espíritos do Namuli onde vivem.

Makholo annèra:
sopanka sa Muluku khasinavanyihiwa:
emolimoli evahiwe ni Muluku
wipattiha ni witxipiha.
Os antepassados afirmam:
não se discute acerca dos actos de Deus:
o pirilampo recebeu por Deus
o dom de se acender e de se apagar.

Makholo anèra:
Muluku ori vamolimolini.,
wavirale emolimoli, Muluku ori vavo,
Muluku emolimoli, onaviraiye khanakohiwa.
Os antepassados dizem:
Deus vive no habitat do pirilampo,
onde passa o pirilampo, Deus está aí.
Deus é como o pirilampo,
onde passa não se pergunta.

Emolimoli ti yopattuxiwa/yovaha ya Muluku
yosareya mahala a Muluku.
O pirilampo é uma criatura/um dom de Deus,
cheio dos seus dons.

Makholo ahu annéra:
emolimoli ti nitho na Muluku
enenero ya warya wa Muluku
ti murummwa a Muluku.
ti enenero yosiveleya wa Muluku
ti enenero ya watana ni Muluku.
Os antepassados dizem:
o pirilampo é o olho de Deus, o sinal da sua luz,
é o seu mensageiro, o sinal do seu amor,
o sinal da sua aliança.

Emolimoli enavara muteko
wa Muluku mwanene ohiyu,
enathonyera ephiro yotthara ya Muluku
O pirilampo faz o serviço do próprio Deus à noite.
mostra o seu caminho a seguir.

Wavinre emanimani ohiyu,
mutthu khanawerya othonya othana,
niwoko ti exiri ya Muluku.
Onde passou o pirilampo à noite,
a pessoa não conseguem apontar de dia
pois é o segredo de Deus.

Wona emolimoli, wòna sa wirimu.
Ver/ assistir o pirilampo
é ver/assistir coisas celestiais.

Emanimani ennètta ntoko nankhwanepa,
ennahiya ephiro anavira atthu,
ti ephiro ya Muluku ni minepa sawe.
O pirilampo anda como o maluco,
deixa o caminho onde passam as pessoas,
é o caminho de Deus mesmo e dos seus intermediários.


3- Emolimoli - Minepa
Pirilampo e os espíritos
A presença e vizinhança simbiótica de Deus namúlico por meio do pirilampo nunca é directa, mas sempre mediata, portanto evidenciada na sinergia dos espíritos. O pirilampo é olho e luz não só de Deus, mas dos seus intermediários namúlicos, maiores e minores, antigos e actuais, ausentes e presentes. Praticamente a biosofia e biosfera xirima nas noites de chuva vê-se percorrida, visitada por mil olhos, por inúmeros espíritos a dançar e cantar a sua melodia cósmica com o mutthu. O mutthu nunca pode se considerar ilha ou mónade errática e dispersa, mas ao contemplar o esfavilio dos pirilampos, é convidado a entrar na dança e tornar-se parte integrante da polifonia dos pirilampos.
Sobretudo no dia da morte do mutthu, a sua ida e a sua campa não pode ser alumiada por archotes humanos, mas só pelos pirilampos, archotes namúlicos do outro hemisfério. É o pirilampo que indica o caminho de regresso ao Namuli, ao outro hemisfério acompanhando o recém-defunto.

Makholo ahu annéra:
emolimoli nitho na mmwako
ti nitho na minepa so Namuli
anyi, ti muthuko wo Namuli.
Os antepassados dizem:
o pirilampo é o olho do monte,
é o olho dos espíritos namúlicos,
sim, é o archote do Namuli.

Emolimoli moro wa minepa
ti eruku ya minepa,
ti muthuko wa makholo ahu,
murettele aya ori ni emolimoli.
O pirilampo é o fogo dos espíritos,
é a sombra dos espíritos,
é o archote dos nossos antepassados,
a paz deles esta com o pirilampo.

Makholo anèra:
wavirale emolimoli, yonyowa yòkhala’vo.
emolimoli eruku enamwalela minepa sothene,
khenavarela othana, ennètta ni minepa ohiyu.
Os antepassados dizem:
onde passa o pirilampo, há algo de estranho:
o pirilampo ilumina todos os espíritos,
não ilumia de dia, mas anda com os espíritos de noite.

Emanimani musewe wa minepa sothene so Namuli.
O pirilampo é a estrada de todos os espíritos do Namuli.

Txome khanavara ephaniphani,
niwoko ennètta ni minepa.
O gato não pega no pirilampo
porque anda com os espíritos.

Vapantte emolimoli, minepa siri vakhiviru
khenatthariwa nnawo.
Onde acende o pirilampo, os espíritos estão perto,
não se seguem as pegadas.

Mmakholoni emolimoli ti muthuko womahiye
ti muthuko w`anamakhwa,
yosiveliwa omahiye.
enamwalela nihiku nokhwa nahu.
Omahiye khonaroiwa khuhimwaleliwa.
O pirilampo é o archote do cemitério
é o archote dos mortos, gosta do cemitério,
ilumina o dia da nossa morte,
pois no cemitério não se vai sem sermos iluminados.

Asikhw’aka, nihiku kinakhwaka
mukimwalele mwa emolimoli: enahima sa ekumi.
Companheiros, no dia da minha morte
ilumiai-me como o pirilampo: significa vida.

Makholo ahu yèra:
omahiye khonaroiwa ni muthuko: olava.
Os nossos antepassados diziam:
ao cemitério não se vai com o archote: traz azar.

Emolimoli mpuwa mwa makholo
ennamuroiha mutthu owani wa Muluku Namuli.
Segundo os antepassado o pirilampo
leva a pessoa em casa lá de Deus Namuli.

Mpuwa wa makholo emolimoli munepa
onanivolowiha wa Muluku Namuli.
Munepa ori mwa emolimoli
t’onaruhela ophiya wa Muluku Namuli.
Segundo os antepassados o pirilampo
é o espírito que introduz ao Namuli.
O espírito é como o pirilampo
faz chegar a Deus Namuli.

Okhwa emolimoli,
minepa sinnathanana.
Se morrer o pirilampo,
os espíritos entristecem.


4- Emolimoli ni mutthu
Pirilampo e a pessoa

O pirilampo é olho de Deus e dos seus intermediários endireitado sobre o mutthu, em favor do mutthu. È luz que ilumina, que gera outra luz em redor, no horizonte do mutthu, indicando-lhe o caminho da luz, mesmo em situações de trevas, de escuridão, de incerteza, de inquietação. Por isso pode ser um remédio eficaz nas cura da conjuntivite, do Mirusi, na altura que o mutthu chega a esgotar-se psicosomaticamente.
Sendo um bicho nocturno e lunar, o pirilampo é também o paradigma da mulher, da sua flexibilidade e mobilidade serpentínea e curvilínea. Por outro lado, sendo fonte de luz que ilumina lugares e momentos tenebrosos, o pirilampo é também paradigma do homem que vendo a luz e a verdade, a segue e a defende além das atenuantes domésticas e das exigências do coração, aceita de viver no sofrimento.

Emolimoli enamwalela ekumi ya mutthu,
khenamuhapuwa mutthu.
O pirilampo alumia a vida do mutthu,
não desvia o mutthu.

Makholo ahu annùluma sa emolimoli
ntoko ethonyero ya miruku sorera wa mutthu,
ti enenero ya Muluku owàtthuna atthu othene,
yàthonyeraka yawo ephiro yowarya yo Namuli.
Os nossos antepassados falam do pirilampo
como um sinal de boa sabedoria para o mutthu,
pois é o sinal do amor de Deus para todos,
indicando-lhe o caminho da luz namúlica.

Athiyana orera wàweha,
niwoko ari ntoko emolimoli.
Mulopwana emolimoli: onakhala mohawani,
attharaka warya ni ekhaikhai.
Dá gosto observar as mulheres,
porque são como o pirilampo,
pelo contrário o homem é também o pirilampo:
vive no sofrimento, seguindo a luz e a verdade.

Emolimoli ti enenero yorukunuxa murima:
opatta ni tho otxipa.
O pirilampo é o sinal de arrependimento/conversão:
acende-se mas também apaga-se.

Emolimoli ennamola ohiyu,
onawàlela atthu ari mwepiphini,
onahima mutthu ohinatthuna wakhulana nari ekhotto.
O pirilampo luzi de noite,
ilumina as pessoas que estão nas trevas:
significa a pessoa que não quer discutir nem a luta.

Emolimoli murette wa mirusi.
O pirilampo é o remédio de Mirusi.

Emolimoli ti mamwene
anèttiha elapo emòvaka Muluku.
O pirilampo são os reis
que governam o mundo temendo a Deus.

Emolimoli ti atthu ahinattuwala
ekhaikhai ya makholo ahu.
O pirilampo são as pessoas que não esquecem
a verdade dos nossos antepassados.


5- Emolimoli ni ekristu
Pirilampo e a fé cristã

O axioma em estudo sintoniza bem com a mensagem cristã como os sectores a seguir estão a demonstrar.

5.1 Emolimoli ni Oraru Wottelaxa
Pirilampo e a S. Trindade

Em primeiro lugar, a luz nocturna intermitente do pirilampo inspira trinitariamente o xirima cristão. A SS. Trindade é uma verdade mistério que só na penumbra do luar nocturno pode ser apreciada e só intermitentemente contemplada. È luz perceptiva e contemplativa que se acende e se apaga, pois para o mistério trinitário vale o que os místicos afirmam: “Mais se cabe, menos se cabe”.

Emolimoli ti warya onamwalela akristu othene,
ori warya wa Oraru Wottelaxa
O pirilampo é a luz que ilumina todos os cristãos,
a luz da SS. Trindade.

Mpuwa mwekristuni emolimoli ehime ya okumi enavoloiha vakhani vakhani
wa ekumi ni Oraru Wottelaxa.
À luz da fé cristã o pirilampo é o poço da vida
que introduz devagar na vida da SS. Trindade.


5.2 Emolimoli ni Munepa Wottela
Pirilampo e o Espírito Santo

In segundo lugar o pirilampo lembra ao cristão xirima a luz e o fogo do Espírito Santo. Em conformidade com a biosofia e biosfera xirima, o Pentecostes xirima nunca é um acontecimento diurno mas nocturno, nunca é fogo abrasador nem vento vertiginoso, mas luz ténue nocturna lunar namúlica que passa alumiando sem obcecar..

Munepa Wottela ti emolimoli yohimala mwekristuni.
No cristianismo o Espírito Santo
é o pirilampo que nunca acaba.

Ephaniphani mwekristuni enahima Munepa Wottela
onamwalela atthu mwekumini mwaya,
wahikhanle warya wa Wunepa Wottela,
akristu khuwo ororomela
ni khanawerya owòna Apwiya Yesu.
O pirilampo no cristianismo significa o Espírito Santo que ilumina a vida das pessoas,
sem o Espírito Santo os cristãos não têm fé
nem chegam a ver o Senhor Jesus.


5.3 Emolimoli ni Yesu Kristu
Pirilampo e Jesus Cristo

Em terceiro lugar o pirilampo é também um paradigma cristológico. Jesus é o archote que ilumina e indica o caminho, em toda a parte ele passa e anuncia o Evangelho.

Mwekristuni emolimli ti Yesu, Mwana a Davidi,
muthuko onaroiha wirimu
amwalelaka akumi ni akhwiye,
àthoneraka yawo ephiro ya ekhaikhai,
niwoko Yesu ti muthoko munyowani
No cristianismo o pirilampo é Jesus, Filho de David,
o archote que conduz ao céu
que ilumina os vivos e os mortos,
mostrando a eles o caminho da verdade,
pois Jesus é a nova árvore sagrada.

Emolimoli eri ntoko Yesu alaleyaka Evanjelhyu:
khòkola wetta, khètta ni poso nari nipuro nimosá,
nsu nawe nari na murettele.
O pirilampo é como Jesus:
não ia direito nem num só lugar, nem levava ração,
a sua palavra era de paz.

Mwekristuni emolimoli ti Yesu Kristu,
muthuko ni warya wohitxipiheya
onamwalela sothesene mwepiphini mwaya:
biblya ahu ni makeya ahu
No cristianismo o pirilampo é Jesus Cristo,
o archote e a luz inapagável
que ilumina tudo está nas trevas,
nossa Bíblia e nossa Makeya.

Emolimoli ori ntoko Yesu:
tí nsu nolaka nnahusiha
ovira ephiro yorukunuxa murima.
O pirilampo é como Jesus:
é a voz que educa e ensina
a enveredar o caminho da conversão.


5.4 Emolimoli ni Maprofeti, Marummwa, Maria
Pirilampo e os profetas, os apóstolos e Maria

Por fim o pirilampo é paradigma dos profetas do AT e dos apóstolos do NT que na sua transitoriedade e limitações históricas foram pirilampos intermitentes, mensageiros de Deus.
Além disso, o pirilampo lembra ao cristão xirima o mistério da vida que implica a morte e da morte que implica a vida e ressurreição e glorificação final em Deus como já aconteceu com o profeta Elias no AT e com a mãe de Jesus, Maria no NT.

Maprofeti annalikana ni emolimoli
niwoko yàlaleya ehapari yorera.
Os profetas são como o pirilampo
porque anunciaram a boa nova.

Emolimoli ti arummwa othene a Yesu,
anyi, ti atthu othene anatthara warya wa Yesu.
O pirilampo são todos os apóstolos de Jesus,
sim, todas as pessoas que seguem a luz de Jesus.

Ephaniphani enahima wisonihera
ntoko wakhula wa makatekumenu.
O pirilampo significa mostrar-se,
é como o consenso dos catecúmenos.

Ephaniphani enalakaseya wirimu
ntoko Eliya mprofeti omwako,
ntoko owelihiwa wa Maria, pwiyamwene.
O pirilampo desaparece no céu
como o profeta Elias no monte,
como a assunção de Maria matriarca.

Emolimoli ti mutthu onavara miteko sa ikharari,
khanàhiha anamwane omwàttamela Yesu
O pirilampo é a pessoa que faz serviços de caridade,
não proíbe às crianças
de se aproximarem de Jesus.

Emolimoli ennathonyera
wi atthu anàkhulela ovinyerera,
eyo tiyo, otthikela wa ekumi yo Namuli.
Hiyo amwavano ninnasuwela
wera yele epattuxiwe ni Muluku
ohana otthikela o Namuli ekhumalaya’wo:
vanonto emolimoli mwekristuni
enahima ovinyerera vamosá ni Yesu Kristu.
O pirilampo indica que a gente acredita na ressurreição,
isto é, ao regresso à vida do Namuli:
nós de hoje sabemos que o que foi gerado,
tem que regressar ao Namuli donde saiu,
em conclusão, para fé cristã o pirilampo
significa ressuscitar com Jesus Cristo.

Avaliação
O estudo do aforismo acerca do pirilampo demonstrou também neste caso uma das características da biosofia e biosfera xirima. Ela dispõe de um olhar suficientemente heurístico para conhecer a biologia do seu mundo, neste caso o pirilampo, mas não se esgota na análise e na descrição do habitat e das componentes biológicas do pirilampo, mas quase logo e instintivamente procura a sua simbiose com o sistema das coordenadas da mundo-visão xirima, desvelando a sua preciosidade simbólica e metafórica. Assim também o pirilampo de insecto profano torna-se oportunidade de aplicações antropológicas mas sobretudo teológicas. Deus namúlico visita o seu mundo cósmico e antropológico com a mediação do pirilampo. O mutthu xirima vive e convive assim com todas as coordenadas do seu sistema, sobretudo na morte é acompanhado pelos pirilampos na viagem extrema ao regresso ao útero mítico e místico de Deus Namuli. Também neste caso o pirilampo é um fragmento e um segmento que desvela e implica toda a biosofia e biosfera xirima.
Também visto no contexto cristão o axioma ganha ainda mais em aplicações metafóricas até não recuar de comentar o mistério trinitário cristão.